Edição: 006, em 15/06/05 - Autor: Diário do Comércio e Indústria -

O Brasil perde importantes negócios no mercado internacional por problemas relacionados à logística, que envolve os sistemas de portos, de rodovias e de ferroviárias, e acarreta metade de seus principais entraves, segundo estimativa de especialistas.
O Brasil deixou de embarcar cerca de US$ 2 bilhões em agricultura pela falta de condições logísticas no ano passado. Além disso, em função do demurrage sobreestadia, importadores e exportadores pagaram mais de US$ 1 bilhão em multas " provocadas pela permanência, nos portos, maior que o estipulado.
A análise é do coordenador da câmara de Logística da AEB - Associação de Comércio Exterior do Brasil, Jovelino Pires, que destacou que a meta do governo, de movimentar 660 milhões de toneladas de carga até o final do ano, poderia ser dobrada se os operadores de comércio exterior não gastassem cerca de 40% a mais no custo do frete, em detrimento das condições das estradas brasileiras.
Pires lembra: "Há pouco tempo, o País movimentava três contêineres por hora; hoje são 30 a cada hora. Avançou muito, mas não ao passo dos mercados internacionais", avalia.
De acordo com o diretor da Intermodal South America " Feira Internacional de Transportes e Serviços de Comércio Exterior, a realizada entre os dias 1º e 3 de junho ", Martin von Simson, parte do gerenciamento dos modais do transporte brasileiro deveria ser privatizado, e receber investimentos da ordem de US$ 20 bilhões. "O ideal seria uma continuidade na administração "interrompida com as transições eleitorais", informa.
As mudanças na economia, como o crescimento na China e a desvalorização do Dólar frente ao Real sinalizam a necessidade de ordenar investimentos privados, principalmente em portos, contêineres e navios. As áreas mais críticas são aquelas que geram cargas refrigeradas ou frigorificadas, como a carne bovina, de frango, o suco de laranja e as frutas. "Cerca de 20% do gasto na fabricação do suco de laranja brasileiro, detentor de 80% do mercado global, pertence ao custo de exportação".
O sistema adotado pelo governo para as concessões das rodovias e ferrovias, a fim de arrecadar recursos para sanar dívidas públicas, desestimulam o investimento privado, segundo Simson. "Os 180 terminais não recebem investimentos porque, quando o período de concessão acaba, os bens ficam para o estado", explica.
Segundo Pires, da AEB, um dos maiores problemas no comércio internacional começa nas proximidades dos Portos de Santos (SP) e do Rio de Janeiro (RJ), cujas laterais foram dominadas por moradias ilegais. "Os transportadores não conseguem trafegar nas rodovias em direção aos portos durante o dia, a não ser na madrugada, pois a velocidade reduzida aumenta os riscos de saque de mercadorias", exemplifica. Ele também informou que a AEB, junto a associações de classe, fez um pleito para que as autoridades estudem a melhor maneira de deslocar as tais residências para locais autorizados.
Respeitar a Lei nº 8.630/93, de Modernização dos Portos, além de fiscalização prévia de documentos, antes do embarque, na opinião de Pires, seriam ações que elevariam as exportações e importações " atualmente, em situação de desequilíbrio. "Já dentro d´água, a dragagem está cada vez mais atrasada, e, com os portos assoreados, a possibilidade de implementação de navios maiores se torna mais restrita", completa.
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